Porque hoje eu tô felizzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz ! Felizzzzzzzzzzz !
huahua rindo a toa ..
Largo da Ilusão
Dentro de cada pessoa tem um cantinho escondido/ Ali na esquina do sonho com a razão/ No centro do peito/ No largo da ilusão
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Uma musiquinha pra aliviar o clima
Ia botar um Vivaldi aqui .. mas só se for pra acompanhar o suicídio, né ..
Vamos de We Are Young da banda Fun ft Janelle Monae
Vamos de We Are Young da banda Fun ft Janelle Monae
Tem horas que da vontade de sumir
Por isso que eu não gosto de contar sobre a minha vida pra ninguém. Ninguém. Tem certas coisas que eu não conto mesmo já sabendo o que vou ouvir. E pra evitar estresse, evitar que eu fique com raiva de alguém que eu gosto muito eu não conto. Guardo pra mim, sofro sozinha. Ou então levo pra terapia. Se bem que muitas vezes ouço algumas coisas na terapia, então evito tb de levar pra lá.
"Pára de se humilhar por um garoto que não presta. Que não quer saber de vc. Chega ! Já não basta tudo o que você sofreu, tudo o que você viveu ? Todas as dores, todos os choros, toda a falta de carinho. Todos os tombos, os sofrimentos. Chega cara ! Ele não é pro teu bico. Essa hora ele deve tá la, rindo da sua cara. Vc sabe muito bem que eu detesto esse garoto que ele NUNCA te fez bem. Como você consegue se esquecer de todas aquelas merdas que ele te falou ? A carta com as flores .. o preparo com a comida e com as velas no dia em que vcs dormiram juntos .. porra, ele te tratava como lixo. É isso que você é ? Um lixo ? Quanta energia, quantas noites sem dormir por causa daquela pessoa que nao te merece. Ele é um louco, é um idiota por nunca ter aceitado você. Você é uma garota linda, adorável, inteligente, boa. Vc tem o coração limpo amiga, e isso é raro nas pessoas. As humilhações, as grosserias, te tratar como puta .. cara, na boa. Tenho raiva só de falar, só de lembrar. Você é minha amiga, eu AMO você mas muitas vezes fico com raiva de vc por ser tão BURRA. Poxa, esquece esse cara, esquece pra sempre. Finge que ele morreu, que ele desapareceu, se mudou pra outro estado. Apaga da tua memória, das tuas lembranças. Ele é ruim, é mau, é grosseiro. Esquece. Se não conseguir fazer por você, faça por mim que sou sua amiga. E imprime esse texto e cola no teu armário. Num lugar bem acessível pra você ler, todo dia, assim que acordar. Põe no teu blog, na carteira, sei lá. Sempre que você pensar em lembrar dele LÊ ISSO DAQUI. Te amo amiga. Fica bem "
"Pára de se humilhar por um garoto que não presta. Que não quer saber de vc. Chega ! Já não basta tudo o que você sofreu, tudo o que você viveu ? Todas as dores, todos os choros, toda a falta de carinho. Todos os tombos, os sofrimentos. Chega cara ! Ele não é pro teu bico. Essa hora ele deve tá la, rindo da sua cara. Vc sabe muito bem que eu detesto esse garoto que ele NUNCA te fez bem. Como você consegue se esquecer de todas aquelas merdas que ele te falou ? A carta com as flores .. o preparo com a comida e com as velas no dia em que vcs dormiram juntos .. porra, ele te tratava como lixo. É isso que você é ? Um lixo ? Quanta energia, quantas noites sem dormir por causa daquela pessoa que nao te merece. Ele é um louco, é um idiota por nunca ter aceitado você. Você é uma garota linda, adorável, inteligente, boa. Vc tem o coração limpo amiga, e isso é raro nas pessoas. As humilhações, as grosserias, te tratar como puta .. cara, na boa. Tenho raiva só de falar, só de lembrar. Você é minha amiga, eu AMO você mas muitas vezes fico com raiva de vc por ser tão BURRA. Poxa, esquece esse cara, esquece pra sempre. Finge que ele morreu, que ele desapareceu, se mudou pra outro estado. Apaga da tua memória, das tuas lembranças. Ele é ruim, é mau, é grosseiro. Esquece. Se não conseguir fazer por você, faça por mim que sou sua amiga. E imprime esse texto e cola no teu armário. Num lugar bem acessível pra você ler, todo dia, assim que acordar. Põe no teu blog, na carteira, sei lá. Sempre que você pensar em lembrar dele LÊ ISSO DAQUI. Te amo amiga. Fica bem "
Pensamentos da madrugada ..
Estava deitada. São 05:30 da manhã. Perdi o sono e naturalmente me ocorrem pensamentos conclusivos. Ora, se eu sou masoquista, ele é sádico. Claro ! Qual outro nome eu posso dar a pessoa que assiste de camarote ao sofrimento alheio, como se fosse uma forma de prazer ? Não só assiste como pisa ainda mais, trata com hostilidade, provoca, machuca. Até então não fazia sentido essa grosseria gratuita. Sempre tentei entender, sem sucesso, porque me tratava/trata assim. Lógico ! Isso é um tipo de sadismo sim. Claro, tá na cara !!!!
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E faz ainda mais sentido com a questão das fotos.
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Será ??
Fiquei bolada.
Freud explica (E MUITO)
Dá uma lida nesse texto de um site de psicologia ..
Na área familiar isso muitas vezes ocorre em relação aos filhos, como: “Eu não tinha carro, você também não precisa. “Eu não segui a carreira que eu queria, você também pode escolher qualquer coisa.” Muitas vezes, esse “repeteco” traz escondido um comportamento mordaz e frustrado, sob a carapuça de ser durão, realista, etc…
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E faz ainda mais sentido com a questão das fotos.
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Será ??
Fiquei bolada.
Freud explica (E MUITO)
Dá uma lida nesse texto de um site de psicologia ..
"O sádico é aquele que sente prazer em impor sofrimento à outra pessoa ou que se deleita com o sofrimento do outro. Muitas vezes são pessoas que foram lesadas, boicotadas nos seus desejos e “descontam” no próximo.
Na maioria das vezes, são aqueles que claramente demonstram uma satisfação ou prazer maior em ouvir “desgraças”, tragédias, e dificuldades.
Geralmente, receberam pouco dos pais na afetividade, na atenção, no cuidado, no respeito, e isso foi reforçado ao longo da vida, recebendo desta também revés e perdas.
Na maioria das vezes, são aqueles que claramente demonstram uma satisfação ou prazer maior em ouvir “desgraças”, tragédias, e dificuldades.
Geralmente, receberam pouco dos pais na afetividade, na atenção, no cuidado, no respeito, e isso foi reforçado ao longo da vida, recebendo desta também revés e perdas.
Passado por esse reforço, repetem nos que estão ao redor.
Isso não significa que invariavelmente todos aqueles que passaram por isso desenvolvem esse tipo de comportamento, mas estamos tratando aqui apenas esse comportamento sádico de desejar que o outro sinta, o que ele já sentiu.
Isso não significa que invariavelmente todos aqueles que passaram por isso desenvolvem esse tipo de comportamento, mas estamos tratando aqui apenas esse comportamento sádico de desejar que o outro sinta, o que ele já sentiu.
Naturalmente, o sadismo pode estender-se de uma maneira muito mais ampla como na área sexual, por exemplo (o que é mais comumente relacionado), mas muitas vezes, não é relacionado a comportamentos na área social.
Nessa área, há um boicote evidente em sentir certo prazer em ver aquele filho, por exemplo, ou aquele colega, sem a possibilidade de conquistar o que deseja, e atingir a felicidade que almeja. Muito sutilmente é uma busca em minimizar a própria infelicidade, pois quando o outro perde ele se sente melhor, mais apaziguado, mais ressarcido.
Nessa área, há um boicote evidente em sentir certo prazer em ver aquele filho, por exemplo, ou aquele colega, sem a possibilidade de conquistar o que deseja, e atingir a felicidade que almeja. Muito sutilmente é uma busca em minimizar a própria infelicidade, pois quando o outro perde ele se sente melhor, mais apaziguado, mais ressarcido.
Deleitar-se na infelicidade do outro, é sem dúvida a maior prova de desamor … a menos que se encontre outra pessoa que goste de sofrer, e também possua esse comportamento nocivo, distorcido e necessitado de cura.
“Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e quando tropeçar, não regozije o teu coração; para que o Senhor não o veja, e isso seja mau aos seus olhos e, desvie dele a sua ira”. Provérbios 24:17-18."
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Muita coisa em comum com o GRANDE poetinha
Quem Ri Melhor - Vinicius de Moraes
Se você está pensando
Que eu estou me importando
Claro que eu estou
Eu não sou feito essa gente
Que ama e de repente
Tchau, e se acabou
Não, eu sofri muito, demais
Porque a minha grande paz
Vinha toda de você
É, pus você alto demais
Com cuidados tão legais
Que nem vi você descer
Que eu estou me importando
Claro que eu estou
Eu não sou feito essa gente
Que ama e de repente
Tchau, e se acabou
Não, eu sofri muito, demais
Porque a minha grande paz
Vinha toda de você
É, pus você alto demais
Com cuidados tão legais
Que nem vi você descer
Mas a gente continua
Sai e anda na rua
Entre a multidão
Os amigos dão mão forte
E há nada que conforte
Mais que o violão
É, vou cuidar melhor de mim
Vou fazer meu samba assim
Bem alegre e natural
É, você vai saber de mim
Muita nota no Ibrahim
Muito nome no jornal
Sai e anda na rua
Entre a multidão
Os amigos dão mão forte
E há nada que conforte
Mais que o violão
É, vou cuidar melhor de mim
Vou fazer meu samba assim
Bem alegre e natural
É, você vai saber de mim
Muita nota no Ibrahim
Muito nome no jornal
Ri melhor que ri no fim
Melhor quem ri no fim
Melhor quem ri no fim
Melhor quem ri no fim
Melhor quem ri no fim
terça-feira, 15 de maio de 2012
Blazértung ..
Muito ruim não poder falar abertamente com algumas pessoas, já sabendo que elas vão te julgar e vão te dizer coisas que você não tá afim de ouvir.
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Eu acho que ainda nunca tive (ou talvez até tenha e não saiba) uma amiga meio louquinha, sabe ? Meio inconsequente das idéias. O dia que eu tiver, ou melhor, o dia em que essa característica se manifestar em alguém de quem eu gosto pra caralho, eu vou apoiar essa pessoa. Do começo ao fim. Na besteira que for, na loucura que seja, eu vou ficar do lado dela. Posso até não concordar, mas vou estar la do lado, junto. Pra quando ela der de cara com a parede eu tá la pra ajudar a levantar. Pra quando ela chorar, eu enxugar suas lágrimas e no final dar aquele esporro gigante dizendo aquilo que as pessoas mais detestam ouvir: "-EU JA SABIA".
...
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Pra pensar ...
Amigo é aquele que evita que aconteça algo de mal ou que ajuda depois que a pessoa se ferra ?
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Eu acho que ainda nunca tive (ou talvez até tenha e não saiba) uma amiga meio louquinha, sabe ? Meio inconsequente das idéias. O dia que eu tiver, ou melhor, o dia em que essa característica se manifestar em alguém de quem eu gosto pra caralho, eu vou apoiar essa pessoa. Do começo ao fim. Na besteira que for, na loucura que seja, eu vou ficar do lado dela. Posso até não concordar, mas vou estar la do lado, junto. Pra quando ela der de cara com a parede eu tá la pra ajudar a levantar. Pra quando ela chorar, eu enxugar suas lágrimas e no final dar aquele esporro gigante dizendo aquilo que as pessoas mais detestam ouvir: "-EU JA SABIA".
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Pra pensar ...
Amigo é aquele que evita que aconteça algo de mal ou que ajuda depois que a pessoa se ferra ?
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É nessa época do ano em que eu mais me lembro dele. É dessa época que guardo as melhores recordações. Não sei porque nossos encontros aconteciam mais nessa época. Não éramos um casal do calor do verão.
Sinto saudade da barba roçando no meu pescoço. Do cheiro do cigarro misturado com a bebida. Da voz grossa no ouvido. Da mão pesada na minha cintura. Do beijo com sabor de Trident de melancia. Da batida sempre involuntária de dentes, como duas crianças.. Da espera pelo final de semana. Das noites sem fim. Dos encontros no carro. Do coração batendo apertado quando me ligava pedindo pra eu descer. Das discussões. De imaginar que os textos tinham sempre uma dona. Saudade dele falando por horas e horas sobre futebol. Saudade de sempre ouvir, ouvir e ouvir.
Saudade dessa presença na minha vida. Tão perto e tão longe.
As vezes, eu só queria um beijo pra saber se é tudo verdade ou se essa história realmente já foi.
Quero sempre mais.
Adoro minha terapia porque mexe muito com os meus sentimentos. Sou "cutucada" por todos os lados. De formas negativas, positivas. Questionamentos, dúvidas, pulga atrás da orelha. Já saí da sessão com muita raiva, ora morrendo de alegria. Querendo matar qualquer um da minha frente ou arrancar um beijo de felicidade de um certo alguém.
Antigamente eu achava que era coisa de maluco. Por épocas eu achei que não funcionava pra mim. Mas já com esses meus 3 anos completos eu vejo o quanto isso é bom. Como é bom alguém dedicar algumas horas da sua vida pra conversar sobre a sua própria vida com alguém que não vai te julgar, te acusar, ficar chateado ou entediado com o que você fala. Me faz sentir especial. É uma delícia. Conversar sobre si mesmo, sobre a vida, sobre as pessoas é sempre uma delícia. Adoro conversar.
Gosto quando as coisas mexem com meus sentimentos. Detesto coisas apáticas na minha vida.
Antigamente eu achava que era coisa de maluco. Por épocas eu achei que não funcionava pra mim. Mas já com esses meus 3 anos completos eu vejo o quanto isso é bom. Como é bom alguém dedicar algumas horas da sua vida pra conversar sobre a sua própria vida com alguém que não vai te julgar, te acusar, ficar chateado ou entediado com o que você fala. Me faz sentir especial. É uma delícia. Conversar sobre si mesmo, sobre a vida, sobre as pessoas é sempre uma delícia. Adoro conversar.
Gosto quando as coisas mexem com meus sentimentos. Detesto coisas apáticas na minha vida.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Fase Bukowskiana ..
Todo leitor de bom gosto já teve (ou ainda terá) sua fase Bukowskiana.
Eu tô passando pela minha agora ..
Belíssima crônica.
A mais linda mulher da cidade - Charles Bukowski
Eu tô passando pela minha agora ..
Belíssima crônica.
A mais linda mulher da cidade - Charles Bukowski
Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e pouco estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão.
As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria: pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria, na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorados ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveitá-los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos — “uns frouxos”, dizia, “sem graça nenhuma.
Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado… Tudo por fora e nada por dentro…” Quando perdia a paciência, chegava às raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental.
O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná-las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.
Conheci Cass uma noite no West End Bar, Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs, fora a última a sair. Simplesmente entrou e sentou do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade — o que bem pode ter contribuído.
— Quer um drinque? — perguntei.
— Claro, por que não?
Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação. Gostou da bebida e tomou varias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi-la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa, sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mais linda mulher da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei-lhe o braço pela cintura e dei-lhe um beijo.
— Me acha bonita? — perguntou.
— Lógico que acho, mas não é só isso… é mais que uma simples questão de beleza…
— As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que eu sou?
— Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.
Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror.
Ela me olhou e riu.
— E agora, ainda me acha bonita? O que é que você acha agora, cara?
Puxei o grampo, estancando o sangue com o lenço que trazia no bolso. Diversas pessoas, inclusive o sujeito que atendia no balcão, tinham assistido a cena. Ele veio até a mesa:
— Olha — disse para Cass, — se fizer isso de novo, vai ter que dar o fora. Aqui ninguém gosta de drama.
— Ah, vai te foder, cara!
— É melhor não dar mais bebida pra ela — aconselhou o sujeito.
— Não tem perigo — prometi.
— O nariz é meu — protestou Cass, — faço dele o que bem entendo.
— Não faz, não — retruquei, — porque isso me dói.
— Quer dizer que eu cravo o grampo no nariz e você é que sente dor?
— Sinto, sim. Palavra.
— Está bem, pode deixar que eu não cravo mais. Fica sossegado.
Me beijou, ainda sorrindo e com o lenço encostado no nariz. Na hora de fechar o bar, fomos para onde eu morava. Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traia sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
Deitamos na cama e, depois que apaguei a luz, Cass perguntou:
— Quando é que você quer transar? Agora ou amanhã de manhã?
— Amanhã de manhã — respondi, — virando de costas pra ela.
No dia seguinte me levantei e fiz dois cafés. Levei o dela na cama.
Deu uma risada.
— Você é o primeiro homem que conheço que não quis transar de noite.
— Deixa pra lá — retruquei, — a gente nem precisa disso.
— Não, pára aí, agora me deu vontade. Espera um pouco que não demoro.
Foi até o banheiro e voltou em seguida, com uma aparência simplesmente sensacional — os longos cabelos pretos brilhando, os olhos e a boca brilhando, aquilo brilhando… Mostrava o corpo com calma, como a coisa boa que era. Meteu-se em baixo do lençol.
— Vem de uma vez, gostosão.
Deitei na cama.
Beijava com entrega, mas sem se afobar. Passei-lhe as mãos pelo corpo todo, por entre os cabelos. Fui por cima. Era quente e apertada. Comecei a meter devagar, compassadamente, não querendo acabar logo. Os olhos dela encaravam, fixos, os meus.
— Qual é o teu nome? — perguntei.
— Porra, que diferença faz? — replicou.
Ri e continuei metendo. Mais tarde se vestiu e levei-a de carro de novo para o bar. Mas não foi nada fácil esquecê-la. Eu não andava trabalhando e dormi até às 2 da tarde. Depois levantei e li o jornal. Estava na banheira quando ela entrou com uma folhagem grande na mão — uma folha de inhame.
— Sabia que ia te encontrar no banho — disse, — por isso trouxe isto aqui pra cobrir esse teu troço aí, seu nudista.
E atirou a folha de inhame dentro da banheira.
— Como adivinhou que eu estava aqui?
— Adivinhando, ora.
Chegava quase sempre quando eu estava tomando banho. O horário podia variar, mas Cass raramente se enganava. E tinha todos os dias a folha de inhame. Depois a gente trepava.
Houve uma ou duas noites em que telefonou e tive que ir pagar a fiança para livrá-la da detenção por embriaguez ou desordem.
— Esses filhos da puta — disse ela, — só porque pagam umas biritas pensam que são donos da gente.
— Quem topa o convite já está comprando barulho.
— Imaginei que estivessem interessados em mim e não apenas no meu corpo.
— Eu estou interessado em você e também no seu corpo. Mas duvido muito que a maioria não se contente com o corpo.
Me ausentei seis meses da cidade, vagabundeei um pouco e acabei voltando. Não esqueci Cass, mas a gente havia discutido por algum motivo qualquer e me deu vontade de zanzar por aí. Quando cheguei, supus que tivesse sumido, mas nem fazia meia hora que estava sentado no West End Bar quando entrou e veio sentar do meu lado.
— Como é, seu sacana, pelo que vejo já voltou.
Pedi bebida para ela. Depois olhei. Estava com um vestido de gola fechada. Cass jamais tinha andado com um traje desses. E logo abaixo de cada olheira, espetados, havia dois grampos com ponta de vidro. Só dava para ver as pontas, mas os grampos, virados para baixo, estavam enterrados na carne do rosto.
— Porra, ainda não desistiu de estragar sua beleza?
— Que nada, seu bobo, agora é moda.
— Pirou de vez.
— Sabe que sinto saudade — comentou.
— Não tem mais ninguém no pedaço?
— Não, só você. Mas agora resolvi dar uma de puta. Cobro dez pratas. Pra você, porém, é de graça.
— Tira esses grampos daí.
— Negativo. É moda.
— Estão me deixando chateado.
— Tem certeza?
— Claro que tenho, pô.
Cass tirou os grampos devagar e guardou na bolsa.
— Por que é que faz tanta questão de esculhambar o teu rosto? — perguntei. — Quando vai se conformar com a idéia de ser bonita?
— Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim, quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.
— Então tá. Sorte minha, né?
— Não que você seja feio. Os outros é que acham. Até que a tua cara é bacana.
— Muito obrigado.
Tomamos outro drinque.
— O que anda fazendo? — perguntou.
— Nada. Não há jeito de me interessar por coisa alguma. Falta de ânimo.
— Eu também. Se fosse mulher, podia ser puta.
— Acho que não ia gostar de um contato tão íntimo com tantos caras desconhecidos. Acaba enchendo.
— Puro fato, acaba enchendo mesmo. Tudo acaba enchendo.
Saímos juntos do bar. Na rua as pessoas ainda se espantavam com Cass. Continuava linda, talvez mais do que antes.
Fomos para o meu endereço. Abri uma garrafa de vinho e ficamos batendo papo. Entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. Ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. Nosso diálogo era sempre assim, simples, sem esforço nenhum. Parecia que tínhamos segredos em comum. Quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada — da maneira que só ela sabia dar. Era como a alegria provocada por uma fogueira. Enquanto conversávamos, fomos nos beijando e aproximando cada vez mais. Ficamos com tesão e resolvemos ir para a cama, Foi então que Cass tirou o vestido de gola fechada e vi a horrenda cicatriz irregular no pescoço — grande e saliente.
— Puta que pariu, criatura — exclamei, já deitado. — Puta que pariu. Como é que você foi me fazer uma coisa dessas?
— Experimentei uma noite, com um caco de garrafa. Não gosta mais de mim? Deixei de ser bonita?
Puxei-a para a cama e dei-lhe um beijo na boca. Me empurrou para trás e riu.
— Tem homens que me pagam as dez pratas, aí tiro a roupa e desistem
de transar. E eu guardo o dinheiro pra mim. É engraçadíssimo.
de transar. E eu guardo o dinheiro pra mim. É engraçadíssimo.
— Se é — retruquei, — estou quase morrendo de tanto rir… Cass, sua cretina, eu amo você… mas pára com esse negócio de querer se destruir. Você é a mulher mais cheia de vida que já encontrei.
Beijamos de novo. Começou a chorar baixinho. Sentia-lhe as lágrimas no rosto. Aqueles longos cabelos pretos me cobriam as costas feito mortalha. Colamos os corpos e começamos a trepar, lenta, sombria e maravilhosamente bem.
Na manhã seguinte acordei com Cass já em pé, preparando o café. Dava a impressão de estar perfeitamente calma e feliz. Até cantarolava. Fiquei ali deitado, contente com a felicidade dela. Por fim veio até a cama e me sacudiu.
— Levanta, cafajeste! Joga um pouco de água fria nessa cara e nessa pica e vem participar da festa!
Naquele dia convidei-a para ir à praia de carro. Como estávamos na metade da semana e o verão ainda não tinha chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. Ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado longe da areia. Outros, sentados em bancos de pedra, dividiam uma garrafa de bebida tristonha. Gaivotas esvoaçavam no ar, descuidadas e no entanto aturdidas. Velhinhas de seus 70 ou 80 anos, lado a lado nos bancos, comentavam a venda de imóveis herdados de maridos mortos há muito tempo, vitimados pelo ritmo e estupidez da sobrevivência. Por causa de tudo isso, respirava-se uma atmosfera de paz e ficamos andando, para cima e para baixo, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada. Com aquela sensação simplesmente gostosa de estar juntos. Comprei sanduíches, batata frita e uns copos de bebida e nos deixamos ficar sentados, comendo na areia. Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante quase uma hora. Não sei por quê, mas foi melhor do que se tivessemos transado. Quando acordamos, voltamos de carro para onde eu morava e fiz o jantar. Jantamos e sugeri que fossemos para a cama. Cass hesitou um bocado de tempo, me olhando, e ao respondeu, pensativa:
— Não.
Levei-a outra vez até o bar, paguei-lhe um drinque e vim-me embora. No dia seguinte encontrei serviço como empacotador numa fábrica e passei o resto da semana trabalhando. Andava cansado demais para cogitar de sair à noite, mas naquela sexta-feira acabei indo ao West End Bar. Sentei e esperei por Cass. Passaram-se horas. Depois que já estava bastante bêbado, o sujeito que atendia no balcão me disse:
— Uma pena o que houve com sua amiga.
— Pena por quê? — estranhei.
— Desculpe. Pensei que soubesse.
— Não.
— Se suicidou. Foi enterrada ontem.
— Enterrada? — repeti.
Estava com a sensação de que ela ia entrar a qualquer momento pela porta da rua. Como poderia estar morta?
— Sim, pelas irmãs.
— Se suicidou? Pode-se saber de que modo?
— Cortou a garganta.
— Ah. Me dá outra dose.
Bebi até a hora de fechar. Cass, a mais bela das 5 irmãs, a mais linda mulher da cidade. Consegui ir dirigindo até onde morava. Não parava de pensar. Deveria ter insistido para que ficasse comigo em vez de aceitar aquele “não”. Todo o seu jeito era de quem gostava de mim. Eu é que simplesmente tinha bancado o durão, decerto por preguiça, por ser desligado demais. Merecia a minha morte e a dela. Era um cão. Não, para que pôr a culpa nos cães? Levantei, encontrei uma garrafa de vinho e bebi quase inteira. Cass, a garota mais linda da cidade, morta aos vinte anos.
Lá fora, na rua, alguém buzinou dentro de um carro. Uma buzina fortíssima, insistente. Bati a garrafa com força e gritei:
— MERDA! PÁRA COM ISSO, SEU FILHO DA PUTA!
A noite foi ficando cada vez mais escura e eu não podia fazer mais nada.
domingo, 13 de maio de 2012
E o "super quero" da semana é ..
o coturno preto !!!
Eu querooooooooooooooooooooooooooooooooo !!!!!
Mas .. pobre é uma merda. Tem que esperar chegar o verão pra poder comprar coisa de frio.
Tudo porque colocam o preço nas alturas.
Eu querooooooooooooooooooooooooooooooooo !!!!!
Mas .. pobre é uma merda. Tem que esperar chegar o verão pra poder comprar coisa de frio.
Tudo porque colocam o preço nas alturas.




